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228.º Aniversário dos Bombeiros Municipais de Viana do Castelo

Quartel (aberto) na rua

 

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A propósito da comemoração dos 228.º Aniversário dos Bombeiros Municipais de Viana do Castelo, estivemos à conversa com António Cruz, sub-comandante desta corporação desde 1999 onde sempre trabalhou tendo ingressado em 1979 como recruta fazendo todo o percurso profissional por todos os patamares até chegar ao posto que hoje ocupa.

 

 No passado dia 22 de Março, esta instituição comemorou o seu 228.º ano de existência. - “Decidimos fazer a comemoração em “quartel aberto”, referiu António Cruz. Ou seja, transferiram os meios operacionais para outro espaço, mais concretamente para a Praça da Liberdade ao fundo da avenida dos Combatentes da Grande Guerra. É a segunda vez que comemoram o aniversário da corporação abrindo essa comemoração ao grande público. A primeira vez foi em 2005, tendo-se celebrado, à data, o seu 225º aniversário. Nessa primeira comemoração foi incluída uma exposição que terá sido o embrião das várias actividades agendadas para este 228.º aniversário que agora comemoraram.

As cerimónias decorrentes desta segunda celebração do aniversário da corporação em “quartel aberto” começaram na manhãzinha do penúltimo sábado de Março, ainda no interior do quartel. Houve formatura geral à qual se seguiu uma romagem ao cemitério, prestando-se homenagem àqueles que morreram no combate aos incêndios que deflagraram nesta região.

Durante a tarde, transferiu-se toda a estrutura operacional para a recém instalada Praça da Liberdade, tendo sido incluído o equipamento ainda em uso, assim como o que já não é utilizado. Assim, foram transportados para a Praça da Liberdade os veículos de tracção braçal e animal que datam dos séculos XVIII, XIX e XX, juntamente com os veículos a motor antigos. E é precisamente de 1928 que data o veículo a motor mais antigo. Por outro lado, a escada rebocável mais antiga tem data de fabrico de 1953.

 

Durante a comemoração do passado dia 22 de Março foram realizadas, pelos elementos operacionais que compõem este esta corporação, manobras com escadas de madeira, exercícios feitos há 50 anos com equipamento da época. Foi dada ao público a oportunidade de participar nesta simulação. As pessoas também tiveram acesso livre ao veículo plataforma, com alcance até aos 30 metros de altura onde as pessoas tiveram a oportunidade, acompanhadas de um bombeiro, de ascender àquela altitude. Aí os participantes tiveram a possibilidade de subir 30 metros, adquirindo a noção da área envolvente da praça da Liberdade no pouco espaço disponível da plataforma.

 

Foram também expostas as bombas que se usaram nos séculos XVIII e XIX. Estas bombas são formadas por tinas que as mulheres enchiam com cântaros.

Todas as mulheres que trabalhavam nos estaleiros, as “mulheres da estiva”, eram obrigadas a participar, desta forma, no combate aos fogos. Uma vez cheias as tinas transportava-se as bombas para o local do incêndio, onde a água era bombeada para apagar o fogo.

No século XIX, existiam, em Viana, cinco bombeiros por freguesia. De referir também que nessa época, quando começou a haver veículos de tracção animal, recorria-se, frequentemente, a veículos de tracção braçal, pois nem sempre era possível conseguirem-se animais. Por isso, a actividade dos Bombeiros limitava-se, frequentemente, às freguesias mais próximas. No caso desta cidade, aquelas de Santa Maria Maior e Monserrate.

 

Foi em 1856 que D. Pedro V ofereceu à Corporação de Bombeiros de Viana do Castelo uma bomba “Perrier”. Chegou Viana do Castelo a 20 de Junho no iate Aveirense. Anteriormente, tinham sido adquiridas a Bomba Pcota (em 1852) e a Bomba Flaud (em 1854). Mas o primeiro engenho deste tipo desta corporação, denominada mesmo de “Bomba da Corporação”, foi adquirida em 1787, tendo sido fabricada na Inglaterra.

Com a aquisição do carro de 1928, o Willys-Night, a actividade dos bombeiros pôde estender-se às freguesias mais afastadas. Trata-se de um carro importado dos Estados Unidos que chegou a Portugal ainda em chassis apenas com as rodas, tendo sido montado posteriormente o banco do motorista e o motor. O restante equipamento veio à parte. Trata-se de um meio operacional bastante antigo não apresentando, ainda, vidros para proteger os seus tripulantes.

Também foi exposto ao público o equipamento utilizado actualmente. Assim, toda a gente pôde ver livremente o veículo-plataforma que possibilita a intervenção dos bombeiros em locais mais elevados, através das suas escadas; três veículos de intervenção florestal, adquiridos sucessivamente em 1996, 2001 e 2003; os veículos tanque; as ambulâncias e todo o demais equipamento.

 

Na Praça da Liberdade permaneceram, durante a comemoração, os veículos antigos enquanto que o equipamento moderno esteve em frente à Biblioteca Municipal, uma vez que o piso da praça não possui resistência para tanta tonelagem de material.

Estas festividades contaram com a participação de muitos cidadãos vianenses, mas causaram mais impacto nos turistas galegos que nos visitaram. Para os da cidade esta comemoração já não era propriamente uma novidade, mas para os nossos vizinhos foi algo de diferente, uma vez que na Galiza as corporações de Bombeiros não estão tão desenvolvidas.

 

 

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